12 setembro 2016

As amostras de tricot - 4 - Que amostras fazer para mostruário?

De vez em quando dá-me a saudade do blogue mas o tempo curto e a desabituação de aqui vir, têm levado a melhor. No período de férias propus-me regressar numa cadência própria, sem compromissos a priori. De uma forma que me desse prazer a mim e a quem pacientemente ainda aguarda que eu aqui escreva.

E numa internet profusamente cheia de dicas, tutorias, estilos de vida, conselhos, receitas de tudo e mais alguma coisa, vidas públicas e privadas, que temas tratar?
E porque não as pequenas coisas? Por vezes são aquelas que nos dão prazer ou o suporte de outras mais arrojadas.

E as amostras são uma delas. O meu pouco tacto de organização e os anos de acumulação de amostrinha aqui, amostrinha ali, fizeram com que tivesse uma séria descoordenada de amostras, algumas delas pouco apetecíveis, sem falar nas que se foram perdendo. E achei que era tempo de as organizar.

Há essencialmente duas razões para fazermos uma amostra.

  • Porque precisamos de fazer uma peça e temos de fazer os cálculos para a montagem das malhas ou para aferir a tensão do fio em relação à do modelo ou
  • Porque encontrámos um ponto muito bonito e queremos guardá-lo para futuras peças
Em relação à primeira situação,  já falei em vários posts sobre as amostras a fazer antes de iniciar o projecto de tricot, como escolher as agulhas e os fios e ainda como bloquear as amostras. Sobre este tipo de amostras voltarei a falar um dia mas, por agora, é das outras, daquelas que guardamos na nossa coleção, que irei falar.



Que amostras fazer para guardar?

Questionei-me várias vezes, agora que iniciei a preparação da minha coleção, que amostras fazer. Tive a tentação de começar pelos pontos mais complexos mas imediatamente desisti da ideia e comecei precisamente pelos pontos clássicos e mais simples. Porquê?

  • São estes pontos que mais frequentemente usamos
  • Se são clássicos é porque são intemporais e resultam quase sempre bem
  • Apesar da maioria ser muito simples, nem sempre nos lembramos como se fazem os pontos. Há cerca de dois anos fiquei bloqueada quando quis fazer a tradicional espinha de bacalhau. Se tivesse feito a amostra, bastava desmanchar um bocadinho ou ler a receita (que deve acompanhar a amostra)
  • O facto de estarem feitas e visualmente presentes é muito sugestivo quando queremos iniciar um trabalho. Já deve ter acontecido a todos, querer fazer um "pontinho" num casaco de bébé e nada ocorrer!
  • Observarmos vários pontos permite-nos ver aqueles que combinam bem, diferenças de elasticidade entre si etc.


E já agora, foram estes os pontos que já "amostrei":

  • bago de arroz (na foto)
  • espinha de bacalhau
  • ponto inglês (na foto)
  • canelado um por um
  • canelado dois por dois
  • canelado três por dois
  • ponto de arroz duplo
  • ponto de grosa


Sempre que falar aqui no blogue sobre amostras vou dizendo (e mostrando) os progressos do meu mostruário. Combinado?