06 junho 2013

A perversidade da cor




Tricotar uma lã multi-colorida é sempre um entusiasmo. Que cambiante virá a seguir? É esta a questão que colocamos ao longo de cada novelo. E isso diverte-nos, obriga-nos a fazer sempre mais uma volta e a prolongar o serão mesmo quando já vai longo.
Mas nem tudo é linear quando se trabalha com cores que variam muito gradualmente ao longo do fio. Nestes casos a peça fica com riscas coloridas, tanto mais largas quanto menor o número de malhas das voltas. Se isso é muito giro em écharpes, xailes, cachecois, tratando-se de uma peça para vestir, aí o caso muda de figura. 
Comecei este casaco com um modelo de um livro mas depressa pus de lado a ideia. Riscas horizontais, com estas cores, ao longo da frente e das costas estava completamente fora de questão. 
Reformulei tudo e comecei um novo casaco com as malhas travessas na parte de baixo do corpo. Não estou a seguir nenhum modelo mas estou a gostar bastante do efeito. Agora vai ser um ápice até o acabar!

03 junho 2013

De gancho




Renda de gancho (ou de ganchada) é mais uma renda que ando a revisitar. É de execução muito simples mas de grande efeito. Embora com vida própria, é quase sempre acompanhada de entremeios e aplicações em crochet, mas nunca passa despercebida.
O primeiro post desta série não podia ter melhor protagonista. Uma renda finissima, feita no Pico por mãos que sabem, e que me foi oferecida pela minha amiga Nélia. Uma verdadeira obra prima!


02 junho 2013

Por uma linha

O hábito de ter várias peças começadas, apesar de poder ser considerado um inconveniente, tem para mim algumas vantagens. 
Além de me não me aborrecer (quando é assim passo para outra) também me permite acabar rapidamente um projecto pendente por um fio. Muitas vezes a razão para parar a determinada altura tem a ver com o facto de alguma coisa não me agradar e prefiro parar, amadurecer as ideias e depois prosseguir. A maior parte do que faço, vou inventando, desenhando, calculando, e por isso  não são imediatas. 
Esta blusa de Verão, foi começada há quase um ano, pela época mais quente. O fio é muito irregular e com um comportamente específico. Daí ter optado por um modelo muito simples onde só a ourela de baixo foi trabalhada. 


Foi feita toda em tricot circular para não ter costuras, pois neste tipo de fio é dificil cerzir ourelas sem que o efeito da junção das várias peças fique irregular. 
Até à cintura fiz uma modelação ligeira para cair melhor e o início das mangas e decote em malha de liga só para uma certa definição. 
O facto de ser toda feita de uma vez tem ainda a vantagem de a poder usar do "avesso".
É mais um projecto formiga, acabado na Primavera para usar neste verão!

29 maio 2013

Os reis e os peões



Conjugar tecidos é como jogar num tabuleiro de xadrez: muitos reis dá confusão e perturbam o olhar. É preciso dosear, com conta peso e medida, os tecidos de estampagem e cor mais exuberantes. Depois vêm os auxiliares. Que podem ser tecidos com uma estampagem de cor mais discreta ou mais miúda. Digamos que têm a força e a estratégia das torres dos bispos e dos cavalos.
E por fim vêm os peões. Humildes mas arrojados, são os primeiros a avançar e só isso vai determinar toda a partida.
No patchwork os peões são sem dúvida os lisos. São um dos melhores complementos para aquele tecido maravilhoso, com estampagens e cores inesquecíveis. Além disso estão tão na moda que eles próprios podem ser a estrela. E este é assunto para um próximo post.

24 maio 2013

trapos e panos e a importância da bainha



A minha mãe diz que um pano sem uma bainha é um trapo e com bainha pode ser tudo. Por ser alentejana sempre teve o cuidado de aprimorar recursos humildes para ter uma vida mais digna. Isto tinha a ver com tudo a começar pela alimentação.
Os tecidos usados para as tarefas mais humildes, como talegos,  panos da louça, de limpeza etc vinham sempre da reutilização de vestidos, lençois, camisas. No entanto mesmo as rodilhas (o pano da louça e de mãos em Alvito) eram merecedores da dita bainha que fazia toda a diferença. Há dias a Conceição P. trouxe-me uns paninhos que a sua mãe, alentejana de Elvas, lhe bordou. Um deles era o pano de passar a ferro e o outro, espante-se, o da solarina. É levar o conceito ao mais alto nível!

PS: solarina é um produto usado para dar brilho aos metais.

23 maio 2013

Fazer crochet (sem internet)



Hoje em dia, um tema, uma técnica ou modelo que caia no agrado, rapidamente é divulgada e apreendida através da internet com tudo o que isso tem de bom e mau.
Bom, porque aceder facilmente à informação é um aspecto muito positivo e sem o qual a nossa vida já não seria a mesma. Mau porque muitas vezes não se cria (ou pelo menos recria) e cai-se num sem número de toute la même chose. 
Mas sempre se partilharam modelos, ideias e, por um mero acaso, duas pessoas que há 30 anos nem se conheciam e viviam bastante afastadas, fizeram para o enxoval dos seus bébés uma manta com o mesmo ponto de crochet. As revistas, a troca de pontos entre amigas eram na altura principal forma de propagação. E pelos vistos também era eficaz!
Este ponto é um dos exemplos do ser simples mas bonito. É acessível mesmo para as iniciantes e tem um efeito geométrico surpreendente.

(obrigada à Fátima e à Maria João por me emprestarem as suas preciosidades)

22 maio 2013

A formiga



Muitos dos meus projectos de Inverno são feitos na Primavera e no Verão. Este ano foi particularmente propício porque os dias frios arrastaram-se e os serões foram sendo preenchidos com as agulhas.
A vantagem de fazer tricot todo o ano é que chegamos a Setembro/Outubro, com peças novas. Se as iniciassemos no Outono, só as poderiamos ter acabadas quase no Natal.
Este cachecol feito em entrelac deu-me a possibilidade de testar mais uma das possibilidades desta técnica modular e simultaneamente usar um fio com cores fantásticas de Outono.

Mas agora que venha o Verão! 

10 fevereiro 2013

Medida: 1 serão

A medida do que queremos fazer pode ser o tempo que vamos gastar a fazer um projecto. Posso querer acabar uma peça num serão ou em vários meses. Seja qual for a dimensão do que pretendo iniciar gosto de fazer uma estimativa do tempo que vou precisar para concluir.
Nem sempre é fácil, mas na maioria dos casos é possível fazer esse cálculo com uma variação abaixo de 20%.
Esta gola, Lacy Gaiter, feita com fio Noro Silk Garden Sock, foi realizada em 1 serão. Tinha acabado de fazer o meu dominó, e estava com muita vontade de experimentar este fio.
Em que casos escolho um projecto para uma medida de tempo curta:
1 - Quando quero experimentar um fio novo e prefiro ver primeiro o resultado antes de me aventurar numa peça maior.
2 - Quando acabei um projecto e estou indecisa em relação ao que vou iniciar. Para as agulhas não pararem faço um projecto rápido que me ocupe no máximo um ou dois serões.
3 - No meio de um projecto de maiores dimensões, para desanuviar.
4 - Também é bom um projecto de curta duração quando se sai e quer levar o tricot.

No caso desta gola foram as razões 1 e 2 que me levaram a fazê-la.

20 janeiro 2013

E os quilts?

Em 2012 fiz quilts, ensinei com se fazem e ajudei a fazer alguns. Nem todos foram fotografados e nem todas as fotografias estão nas melhores condições. Mas fica aqui um muito pequeno resumo do que se passou.
 O marcar de uma nova etapa.

 Para a Ana Sofia,
 Para a Catarina
e para a Fátima, os seus primeiros quilts,


O primeiro quilt da Esmeralda brilhou.

Os quilts da Maria João voam para muito longe, onde está o coração.

Para a Irene, os grandes desafios.
A Fernanda e os grandes quilts. Escolhidos por e para quem mais os aprecia.

Da Sara, quilts que envolvem bébés.

 Da Fernanda
e da Elisabete, quilts feitos devagar, milimetricamente.

Quilts para dar conforto nas noites frias.


Quilts para aprender a fazer e gostar de quilts.
 O quilt da Hemi, de quem agora nos separa o Atlântico.

Este percurso continua em 2013.

17 janeiro 2013

malha de liga

Pensei em vários nomes para este post mas definitivamente ganhou a malha de liga.
Para quem faz tricot à portuguesa (e será a maioria das portuguesas), sabe como é fácil tricotar sempre em liga. Vê-se televisão, tricota-se em frente ao computador, conversa-se, tudo sem olhar para o trabalho. Basta um olhar nos mates ou outros pormenores que exijam mais atenção. 
muitas malhas e técnicas que se podem fazer em liga ou predominantemente em liga e se se quiser fazer um tricot rápido esta será uma boa opção.

No último encontro de tricot iniciou-se um novo trabalho e uma das hipóteses foi o dominó, uma técnica de quadrados muito simples mas com um sem número de possibilidades. O Dominó é uma das técnicas que se pode fazer integralmente em liga. É adequada a quem começa a tricotar mas pode ser um desafio para quem tem mais experiência. Ideal por isso no nosso encontro.

A técnica escolhida foi comum mas as peças vão ser diferentes e por isso estou ansiosa pelo próximo encontro para ver os TPCs. O meu está a andar!

04 janeiro 2013

Os encontros de tricot

Hoje a Elisete telefonou-me.
Estou cheia de saudades dos encontros de tricot. Quando é o próximo?

Tão bom saber que este pedacinho do serão é tão importante na nossa semana. Tão bom ver que, quem pouco sabia, já faz em tricot os presentes de Natal. E o frio ainda está para durar!