

Em breve vou buscar a almofada, enrolar uns bilros, fazer uma rendinha e deixar-me embalar-me no tic tac.
Estas rendas, foram feitas com um fio de linho que encontrei há anos numa retrosaria na Noruega. Tão bom de trabalhar que acabou rapidamente e ainda não encontrei um substituto à altura.
Viver alguns dias junto das pessoas das ilhas proporciona-nos momentos calmos, preenchidos e inesquecíveis. Abrem a porta e o coração e permitem-nos apreciar mantas que já criaram várias gerações de "pequenos". Cada pedacinho já foi vestido, saia ou blusa e muitos vieram da América nos característicos anos trinta.
Pela simplicidade de execução e multiplicidade de efeitos, o Logcabin é um dos blocos mais vistos em todo o mundo e encontra-se distribuído em mantas antigas, quer no continente quer nos Açores. É dificil avaliar se a maior influência nas ilhas se deve ao contacto com o continente ou a emigração para os Estados Unidos porque toda a gente os faz como a mãe e a avó já faziam.
Um monograma vermelho bordado num linho beirão com mais de 100 anos, é uma conjugação muito feliz.
Mais do que qualquer outro registo bordado são elementos afectivos e pessoais que permanecem sempre ligados a quem foram destinados.
Se muitos testemunharam casamentos felizes e duradouros, outros pelo menos mostram-nos o compromisso de muitas noivas que gravavam no enxoval as suas expectativas de um casamento para a vida.
Embora incentive o registo sistemático da informação, a quem frequenta as aulas, confesso que os apontamentos raramente fizeram parte dos meus percursos de aprendizagem. É talvez por isso, que a forma como cada um interioriza e transmite no papel o que aprendeu, me fascina tanto. Ao longo da minha vida como formadora (destas e doutras matérias), tenho contactado com os apontamentos mais incríveis, mas os carateres do mandarim são tão diferentes do que vi até aqui que não resisti a um "apontamento" fotográfico.
De quem eu conheço, a Maria da Purificação é a pessoa que mais próxima está do meu conceito de designer de moda. Tricota apaixonadamente e veste os elementos da sua família das peças mais interessantes que tenho visto.
Estar rodeada todo o dia, todos os dias, de lãs e tecidos é quase uma provocação para quem tem pouco tempo para os usufruir. Vale a máxima do grão a grão que é como quem diz, volta a volta, em minutinhos entre tarefas, e a echarpe lá vai crescendo para me vir a aconchegar os ombros nas noites mais frescas das próximas estações.
Apesar do frio é ao entardecer que mais gosto de estar na loja. Aproveitar os últimos raios de sol nem sempre é possível mas hoje fiz questão fotografar este quilt, apesar da pouca luz. De improviso a montra foi a moldura e uns alfinetes d'ama sustiveram-no.